Vento muito forte, águas avançando e áreas isoladas
Na madrugada de 8 de outubro, Pelotas teve vento de 105 km/h. A reportagem publicada no dia seguinte também registrou ondas de aproximadamente um metro na Lagoa dos Patos, avanço das águas por seis quadras no Laranjal, cerca de 600 metros, e aproximadamente 3 mil pessoas isoladas na Colônia Z3.
Duas semanas depois, a Prefeitura de Pelotas confirmou danos causados pelos fortes ventos e pela entrada das águas do Canal São Gonçalo e da Lagoa dos Patos. Equipes ainda trabalhavam na recuperação de acessos, drenagem e limpeza do balneário.
Os documentos também preservam medições do nível da água no Laranjal. Como os arquivos mostram dois valores para o mesmo dia, essa diferença aparece na próxima seção, sem esconder nenhuma das versões.
As fontes não mostram que toda Pelotas, o Laranjal e a Z3 tiveram a mesma altura de água. Os níveis da régua do Laranjal valem para aquele ponto de medição.
Por que aparecem 2,90 m e 1,90 m no mesmo dia
A estação Laranjal 87955000 guarda duas versões da medição de 8 de outubro de 2001. Na série bruta, antes da revisão, aparecem 300 cm às 07h e 280 cm às 17h, com média diária de 290 cm.
A versão revisada, chamada de consistida no arquivo, registra 190 cm para o mesmo dia e marca o valor como estimado. Por isso, 2,90 m e 1,90 m não são duas réguas diferentes nem um erro do site. São duas versões preservadas da mesma série histórica.
Em 2018, o histórico da estação registra que os dados foram revisados em um trabalho da ANA. Isso confirma que houve revisão, mas não explica por que o valor de 8 de outubro mudou exatamente 100 cm. Sem um documento que explique essa mudança, não há base para apontar uma causa.
Um relatório municipal de 2013, baseado nos dados da ANA disponíveis naquela época, registra 2,90 m em 08/10/2001. Os arquivos Hidro atuais mostram que esse valor corresponde à série bruta, enquanto a série revisada guarda 1,90 m como estimado.
O cadastro da estação também mudou depois de 2001. Em 2017 aparece uma nova referência para o zero da régua, e em 2018 houve troca de trechos da régua. Sem um documento ligando essas mudanças à medição de 2001, referências mais novas não são usadas para recalcular o nível antigo.
Em 2026, a estação histórica 87955000 deixou de ser marcada como telemétrica, enquanto a 87955001 foi cadastrada como LARANJAL TELEMÉTRICA. Isso indica papéis diferentes, mas não prova que as duas usem exatamente a mesma referência de nível.
Em 08/10/2001, a estação 87955000 preserva 2,90 m na série bruta e 1,90 m na série revisada e estimada. São níveis daquela régua, não a altura da água em todas as ruas do Laranjal.
O vento ajudou a empurrar a água para a costa de Pelotas
Um estudo da Faculdade de Meteorologia da UFPel analisou a inundação da costa oeste da Lagoa dos Patos em 8 de outubro de 2001 usando dados de vento e pressão dos dias anteriores.
O estudo encontrou uma combinação de sistemas que reforçou os ventos de leste e nordeste sobre a região nos dias anteriores ao temporal.
Segundo os pesquisadores, esses ventos podem ter dificultado a saída da água da Lagoa para o Oceano Atlântico e, ao mesmo tempo, empurrado água em direção à costa oeste. Isso ajuda a explicar o avanço no Laranjal.
O estudo ajuda a explicar como o episódio aconteceu. Os números da enchente continuam atribuídos às fontes que os publicaram na época.
Do temporal à recuperação do Laranjal
Nem todos os dias têm registros preservados. A linha do tempo mostra apenas as datas que aparecem nas fontes já encontradas.
Temporal, vento de 105 km/h e avanço da água
A Folha de S.Paulo publicou no dia seguinte, citando meteorologistas, que um ciclone extratropical atingiu o Rio Grande do Sul durante a madrugada de 8 de outubro.
Em Pelotas, a reportagem registrou vento de 105 km/h e ondas de aproximadamente um metro na Lagoa dos Patos.
No Laranjal, as águas avançaram seis quadras, cerca de 600 metros, para dentro da área urbana. Na Colônia Z3, aproximadamente 3 mil pessoas ficaram isoladas.
A estação Laranjal 87955000 guarda duas versões da medição daquele dia: 2,90 m na série bruta e 1,90 m na série revisada, marcada como estimada. As duas permanecem visíveis na página.
105 km/h em Pelotas · avanço de cerca de 600 m no Laranjal · 2,90 m bruto e 1,90 m revisado/estimado · cerca de 3 mil isolados na Z3A reportagem do dia seguinte registra os principais números
A matéria da Folha é, até agora, a fonte da época localizada que reúne a classificação como ciclone extratropical e os principais números do episódio em Pelotas.
Por isso, os 105 km/h, o avanço das águas e o número de pessoas isoladas continuam atribuídos à reportagem, e não à Prefeitura.
Duas semanas depois, ainda havia obras no Laranjal
A Prefeitura descreveu os problemas no Laranjal como consequência dos fortes ventos e da entrada das águas do Canal São Gonçalo e da Lagoa dos Patos.
As equipes trabalhavam na limpeza da beira da Lagoa, recuperação de acessos e retirada de entulhos.
Retroescavadeiras também atuavam na drenagem de áreas próximas ao Valverde e ao Pontal da Barra em direção ao Canal São Gonçalo.
A Prefeitura confirma vento forte, entrada da água, danos e recuperação. O termo “ciclone extratropical” vem da reportagem da Folha.A recuperação segue até o começo de novembro
O comunicado municipal de 22 de outubro previa que o mutirão e as obras no Laranjal seguiriam até 4 de novembro.
Isso mostra que os impactos não terminaram quando o vento passou. Acessos, áreas alagadas e infraestrutura ainda exigiam trabalho semanas depois.
Em 2002, a Prefeitura lembra o “nordestão” de 2001
Ao noticiar uma nova entrada das águas em 2002, a Prefeitura lembrou que o “nordestão” do ano anterior havia deixado a Z3 isolada e causado danos nos balneários.
“Nordestão” é a expressão local usada para o vento nordeste forte. O termo ajuda a preservar a memória de moradores e pescadores, mas não substitui a classificação meteorológica publicada pela Folha em 2001.
Cada fonte conta uma parte do que aconteceu
A expressão “ciclone extratropical” aparece na reportagem da Folha de S.Paulo publicada no dia seguinte, que atribui esse nome a meteorologistas. A Prefeitura, em seu comunicado de 22 de outubro, fala em fortes ventos, vendavais e entrada das águas.
Em 2002, ao lembrar o evento do ano anterior, a Prefeitura usa a palavra “nordestão”, expressão local para o vento nordeste forte. Ela preserva a forma como pescadores e moradores descreviam o vento, mas não substitui o nome meteorológico usado pela Folha.
Os arquivos da estação 87955000 acrescentam as medições do Laranjal. A série bruta guarda 2,90 m em 08/10/2001; a série revisada guarda 1,90 m e marca esse valor como estimado.
O estudo da UFPel foi feito depois do evento e ajuda a explicar o papel dos ventos e da Lagoa. Ele não substitui os registros publicados durante a enchente.
Um texto náutico publicado em 2005 também explica, de forma geral, como o vento nordeste pode alterar os níveis da Lagoa dos Patos. Ele ajuda no contexto, mas não é prova direta do que aconteceu em 8 de outubro de 2001.
Quando duas fontes divergem, a diferença fica visível e cada informação mantém sua origem.
As chuvas de agosto e setembro foram outro episódio
Existe um estudo sobre chuvas intensas em Pelotas entre 31 de agosto e 3 de setembro de 2001. Ele descreve outra situação meteorológica. Até agora, não há documentação suficiente para tratar aquele episódio e a enchente de outubro como um único evento.
Se aparecer uma fonte que ligue diretamente os dois períodos, essa relação poderá ser revista. Por enquanto, eles permanecem separados.
O que ainda não sabemos
Já temos as duas versões da medição de 8 de outubro. Ainda falta entender melhor por que elas diferem e confirmar qual referência de régua vale para aquele período.
- Ainda falta o relatório que explique por que a medição de 8 de outubro aparece como 2,90 m na série bruta e 1,90 m na série revisada e estimada.
- Ainda falta confirmar qual referência da régua vale para 2001. Mudanças registradas em 2017 e 2018 não podem ser aplicadas automaticamente às medições antigas.
- Ainda falta um documento que diga se as estações 87955000 e 87955001 usam exatamente o mesmo zero e a mesma referência de nível.
- Ainda buscamos boletins meteorológicos oficiais da época que detalhem o sistema que atingiu Pelotas e a Lagoa dos Patos.
- Fotos, jornais e documentos da Biblioteca Pública, Defesa Civil, Sanep, UFPel, Embrapa, FURG, ANA, SGB, Marinha e imprensa local podem ampliar a história do evento.
Onde essas informações foram encontradas
Novas fotos, jornais, boletins ou documentos podem completar esta história. Quando um ponto ainda não está confirmado, ele continua indicado como dúvida.
