Tempo Pelotas
Pelotas · outubro e novembro de 2015

Enchente de 2015 em Pelotas

Em outubro de 2015, chuva muito acima da média, níveis altos na Lagoa dos Patos e no Canal São Gonçalo e vento desfavorável ao escoamento deixaram áreas de Pelotas alagadas. Laranjal, Z3, Barra e outros pontos baixos tiveram resgates, interrupções e obras de emergência durante várias semanas.

Chuva até 20/10
299 mmacumulado de outubro na Estação da Embrapa; a média citada para o mês era 101 mm
Canal São Gonçalo
2,20 mvalor citado no balanço municipal para o período mais crítico
Atendimento
~1.300 famíliastotal atendido ao longo da enchente; não é o número de famílias desabrigadas ao mesmo tempo
Como a cheia se formou

Não foi apenas a chuva que caiu em Pelotas

Enquanto chovia muito em Pelotas e na região, água da Lagoa Mirim e dos rios Piratini e Jaguarão chegava ao Canal São Gonçalo. Ao mesmo tempo, água vinda do Guaíba avançava pela Lagoa dos Patos em direção ao sul.

O vento nordeste também dificultava a saída da água da Lagoa para o mar. Com a Lagoa e o Canal altos, bairros e balneários mais baixos tinham menos capacidade para escoar a água.

Nos boletins municipais, a Estação da Embrapa aparece com 299 mm de chuva em outubro até o dia 20. No mesmo registro, a média citada para todo o mês era de 101 mm.

chuva intensa + água chegando de outras bacias + Lagoa e Canal altos + vento desfavorável → alagamentos nas áreas mais baixas

As águas chegaram por caminhos diferentes, mas o efeito local foi o mesmo: a Lagoa e o Canal já estavam altos e havia pouca capacidade para receber a água que precisava sair das áreas urbanas.

Linha do tempo

Dos primeiros sinais à recuperação

Os boletins municipais foram publicados com frequência durante a emergência. As medições abaixo mantêm a data, o horário e a origem informados em cada registro.

14 de outubro · tardePrimeiros sinais

Cinco dias antes do pico, a cidade já estava em alerta

A Prefeitura já relacionava a subida da Lagoa dos Patos à água do Guaíba que seguia para o sul e mantinha as equipes em alerta.

A Defesa Civil retirava famílias do Cedrinho, na Z3. No Santo Antônio, a água alcançava a área do shopping Mar de Dentro e, no Valverde, o trapiche estava praticamente submerso.

Até 13 de outubro, Pelotas havia acumulado 170 mm de chuva no mês, diante da média de 101 mm citada pelo Município. A régua da Casa de Bombas do Porto marcava 2,10 m naquela tarde.

Chuva em outubro até 13/10
170 mm
média de outubro citada pela Prefeitura: 101 mm
Casa de Bombas do Porto
2,10 m
régua local; não é a mesma medição da Lagoa ou do São Gonçalo
A cheia já dava sinais claros antes do período mais crítico de 18 e 19 de outubro.
18-19 de outubro de 2015Áreas mais atingidas

A noite de 18 para 19 é apontada como o período mais crítico

O balanço municipal publicado em 6 de novembro identifica a noite de 18 para 19 de outubro como o período mais crítico da enchente.

A Prefeitura relacionou o cenário à chuva intensa, à água do Guaíba chegando à Lagoa dos Patos e à contribuição da Lagoa Mirim e dos rios Piratini e Jaguarão para o Canal São Gonçalo.

Valverde, Novo Valverde, Pontal da Barra, Z3, Barra e Doquinhas aparecem entre as áreas atingidas nos registros municipais.

É o balanço de 6 de novembro que identifica 18 e 19 de outubro como o período mais crítico.
19 de outubroLagoa e Canal altos

Lagoa e Canal altos dificultam a saída da água

A Prefeitura explicou que as áreas mais baixas estavam recebendo água ao mesmo tempo em que tinham dificuldade para escoá-la.

Havia muita água chegando ao Canal São Gonçalo, a Lagoa dos Patos estava alta e o vento dificultava a saída da água em direção ao mar.

Por isso, as casas de bombas não resolveriam o problema sozinhas enquanto a Lagoa e o Canal continuassem altos.

20 de outubro · tardeResgates e medições

Resgates continuam e o São Gonçalo marca 2,04 m

Na Z3, o boletim municipal registrou 180 pessoas em abrigos oficiais e outras 120 em casas de parentes ou amigos.

Em Pontal da Barra, Valverde e Novo Valverde, 135 pessoas estavam fora de casa e 33 haviam sido resgatadas naquele dia. A Defesa Civil informou que outras famílias saíram por conta própria, por isso a contagem não era completa.

Desde a manhã, a Lagoa dos Patos havia baixado 30 cm e o Canal São Gonçalo, 21 cm.

Canal São Gonçalo
2,04 m
tarde de 20/10
Variação do São Gonçalo
-21 cm
desde a manhã
Variação da Lagoa
-30 cm
desde a manhã; o boletim não informa o nível absoluto
20 de outubro · noiteDecreto e resgates

Pelotas decreta Situação de Emergência

O prefeito Eduardo Leite assinou o decreto de Situação de Emergência nas áreas atingidas pelos alagamentos.

Uma reportagem do G1 publicada naquele dia apontou cerca de 300 pessoas fora de casa e aproximadamente 400 militares ajudando no atendimento. Barcos e caminhões eram usados para retirar moradores.

A reportagem também registrou corte preventivo de energia e o desabamento do trapiche da Praia do Laranjal durante a tarde.

Os números deste bloco vêm da reportagem do G1 publicada no dia do decreto.
21 de outubroChuva, Lagoa, Canal e vento

Chuva chega a 299 mm no mês até o dia 20

A Prefeitura informou que a Estação da Embrapa havia acumulado 270 mm em setembro e 299 mm em outubro até o dia 20. No mesmo texto, a média citada para outubro era de 101 mm.

O Município explicou a cheia pela combinação de muita água no Canal São Gonçalo, Lagoa dos Patos alta com contribuição do Guaíba e vento nordeste dificultando a saída para o mar.

Na Z3, o boletim registrou 300 pessoas fora de casa e 180 em abrigos. No Valverde, 198 pessoas haviam sido retiradas de suas casas.

O boletim da manhã seguinte informa que, no dia 21, o São Gonçalo estava em 2,12 m e a Lagoa dos Patos em 1,60 m.

Canal São Gonçalo
2,12 m
valor do dia 21 citado no boletim de 22/10
Lagoa dos Patos
1,60 m
valor do dia 21 citado no boletim de 22/10
Chuva em outubro
299 mm
Embrapa, acumulado até 20/10
22 de outubro · 8h30Nova subida

Vento desfavorável faz os níveis subirem de novo

Depois de uma queda parcial, os boletins voltaram a registrar alta e relacionaram a mudança ao vento desfavorável à saída da água.

O Canal São Gonçalo passou de 2,12 m no dia 21 para 2,18 m na manhã do dia 22. A Lagoa dos Patos passou de 1,60 m para 1,90 m nas referências divulgadas pela Prefeitura.

Mais oito pessoas foram retiradas do Valverde, elevando de 198 para 206 o número informado naquela atualização.

Canal São Gonçalo
2,18 m
+6 cm em relação ao valor do dia 21
Lagoa dos Patos
1,90 m
+30 cm em relação ao valor do dia 21
A água não baixou de forma contínua: houve novas subidas durante a emergência.
23 de outubroPrimeiros sinais de recuo

Ônibus volta a circular para a Z3

A estrada de acesso à Colônia Z3 voltou a receber transporte coletivo depois de obras na pista e da redução do nível da Lagoa dos Patos.

A Defesa Civil havia restringido a passagem dos ônibus no início da semana.

A própria notícia anunciava nova atualização sobre os alagamentos para as 17h30, mostrando a frequência dos boletins durante a emergência.

25 de outubroObra de emergência

Começa a construção do dique no Pontal da Barra

Depois de uma vistoria no dia 24, a Prefeitura iniciou um dique para separar o banhado das áreas habitadas e ajudar bombas e canais a retirar a água acumulada.

O projeto previa aproximadamente 2 km de extensão e 3 m de largura, com duas frentes de trabalho.

A Prefeitura voltou a relacionar a enchente ao grande volume no São Gonçalo, à Lagoa dos Patos alta e ao vento que dificultava a saída para o mar.

Projeto anunciado em 25/10: cerca de 2 km de extensão e 3 m de largura.
26 de outubroRecuperação desigual

A água baixa em alguns pontos e serviços começam a voltar

O boletim da tarde registrou a Lagoa dos Patos em 1,80 m às 10h30 e 1,70 m mais tarde. O dado mais recente do São Gonçalo naquela publicação era 2,16 m pela manhã.

A energia havia voltado para 948 residências entre a avenida Joaquim Assumpção e a rua 29, e a bomba de drenagem da rua 29 voltou a funcionar.

A Barra ainda recebia atendimento por barco, mostrando que algumas áreas se recuperavam antes de outras.

Lagoa dos Patos · 10h30
1,80 m
Lagoa dos Patos · tarde
1,70 m
queda de 10 cm no intervalo informado
Canal São Gonçalo · manhã
2,16 m
valor mais recente citado no boletim das 18h
27 de outubro · manhãDefesa Civil citada pela GZH

A Lagoa recua, mas o retorno às casas ainda não é recomendado

Os textos completos dos boletins municipais de 27 de outubro não foram recuperados. A leitura da manhã aparece em uma reportagem da GZH que cita a Defesa Civil de Pelotas.

A Lagoa dos Patos havia baixado 40 cm e media 1,60 m. A água recuava nas ruas, mas a orientação ainda era não voltar para casa por causa da previsão de ventos fortes.

Ainda havia 137 pessoas em abrigos. A CEEE já havia restabelecido a energia em 1.270 casas e avaliava outros 686 pontos sem luz. O dique provisório do Valverde seguia em construção.

Lagoa dos Patos
1,60 m
manhã de 27/10; GZH citando a Defesa Civil de Pelotas
Variação da Lagoa
-40 cm
na manhã de 27/10, segundo a mesma fonte
Pessoas em abrigos
137
Defesa Civil citada pela GZH
Como o boletim municipal completo não foi recuperado, estes dados permanecem atribuídos à GZH e à Defesa Civil.
27 de outubro · fim da tardeValores confirmados em 28/10

Boletim do dia seguinte confirma os níveis do fim da tarde

O arquivo municipal mostra que houve boletins às 11h e às 19h em 27 de outubro, mas os textos completos dessas páginas antigas ainda não foram recuperados.

No boletim de 28 de outubro, a Prefeitura informa que as leituras daquela manhã eram as mesmas do fim da tarde do dia anterior.

Assim, é possível registrar os valores do fim da tarde de 27 sem inventar as demais medições daquele dia.

Canal São Gonçalo
2,02 m
fim da tarde de 27/10, confirmado no boletim de 28/10
Lagoa dos Patos
1,80 m
fim da tarde de 27/10, confirmado no boletim de 28/10
28 de outubro · 11hPrefeitura

Chuva e vento mantêm os níveis do fim da tarde anterior

A Prefeitura informou que os fortes ventos da madrugada e a chuva até as 2h mantiveram os níveis da Lagoa e do São Gonçalo iguais aos do fim da tarde anterior.

Ainda havia 137 pessoas em abrigos oficiais: 123 da Z3 e 14 de Novo Valverde, Pontal da Barra e Valverde.

No mesmo dia, o Município divulgou o reconhecimento federal da Situação de Emergência e continuou os trabalhos no dique do Valverde.

Canal São Gonçalo
2,02 m
mesmo valor do fim da tarde de 27/10
Lagoa dos Patos
1,80 m
mesmo valor do fim da tarde de 27/10
Pessoas em abrigos oficiais
137
123 da Z3 e 14 de Novo Valverde, Pontal da Barra e Valverde
28 de outubro · cerca de 14hDefesa Civil citada pela GZH

Nova medição mostra o São Gonçalo em 2,04 m

Uma reportagem da GZH publicada às 14h01 registrou a medição mais recente da Defesa Civil naquele momento: Lagoa em 1,80 m e Canal São Gonçalo em 2,04 m.

O São Gonçalo estava 2 cm acima do valor divulgado pela Prefeitura às 11h, enquanto a Lagoa permanecia igual.

A mesma reportagem registrou 137 pessoas em abrigos e reproduziu a estimativa municipal de mais de 3 mil casas e cerca de 10 mil pessoas atingidas, com levantamento ainda em andamento.

Canal São Gonçalo
2,04 m
Defesa Civil citada pela GZH às 14h01
Lagoa dos Patos
1,80 m
Defesa Civil citada pela GZH às 14h01
Variação do São Gonçalo
+2 cm
comparação com o boletim da Prefeitura das 11h
O boletim municipal das 18h não foi recuperado; esta medição registra apenas o começo da tarde.
29 de outubroBoletim localizado

Boletim das 11h foi localizado, mas o texto completo não

O índice da Prefeitura confirma uma nova edição de “Cheias 2015 - Boletim atualizado às 11h” em 29 de outubro.

O texto completo dessa página antiga não está disponível de forma confiável no arquivo atual. A GZH também preserva o registro de uma matéria daquele dia sobre a queda do número de desabrigados, mas o texto completo não foi recuperado.

Por isso, esta linha do tempo registra que as publicações existiram, mas não atribui a elas números que não foram encontrados no texto original.

Boletim localizado; medições não são preenchidas sem o texto da publicação.
30 de outubro · fim da tardeObra concluída

Dique emergencial é concluído no Valverde

A Prefeitura informou que o Sanep concluiu a barreira de contenção entre a área habitada do Valverde e o banhado.

No registro final, o dique tinha 1,8 km de comprimento e 3 m de altura, além de uma comporta móvel de 6 m para controlar a passagem da água.

Naquela tarde, a água já começava a baixar no Valverde e no Novo Valverde. A própria Prefeitura apresentou a obra como uma medida de emergência, e não como solução definitiva para o Laranjal.

O projeto inicial previa cerca de 2 km de extensão e 3 m de largura. O registro da obra concluída descreve 1,8 km de comprimento, 3 m de altura e comporta de 6 m.
3 de novembro · manhãSituação estável

Defesa Civil prepara o encerramento do plantão no Laranjal

Com a situação considerada estável, a Defesa Civil anunciou que encerraria o plantão na Administração do Laranjal em 4 de novembro.

Na manhã do dia 3, o São Gonçalo marcava 1,80 m e a Lagoa dos Patos 1,40 m nas referências usadas naquele acompanhamento.

O trabalho passava a se concentrar na drenagem da água restante, recuperação das ruas e retirada de móveis e entulhos.

Canal São Gonçalo
1,80 m
manhã de 03/11
Lagoa dos Patos
1,40 m
manhã de 03/11
5 de novembroRetorno e limpeza

A emergência dá lugar à limpeza e ao retorno

Com a água baixando, a Prefeitura concentrou equipes na limpeza de ruas, canais e orla do Laranjal e na retirada de móveis e entulhos.

No dia 4 haviam sido recolhidas 19 cargas de móveis e entulho na orla e sete no Pontal da Barra e Valverde. No dia 5, três caçambas e duas retroescavadeiras retiravam aguapés e juncos.

A Prefeitura informou que já não havia desabrigados no Valverde nem na Z3 e que os abrigos do Laranjal Praia Clube e do CRAS São Gonçalo haviam sido desativados.

6 de novembroBalanço da Prefeitura

Balanço final reúne os principais números da cheia

A Prefeitura informou que aproximadamente 1.300 famílias receberam atendimento ao longo do episódio no Laranjal, Z3, Barra e Doquinhas. Esse total não significa 1.300 famílias desabrigadas ao mesmo tempo.

O balanço registrou o São Gonçalo em 2,20 m no período mais crítico e informou que 1.956 moradias tiveram a energia cortada por segurança.

Para a Lagoa dos Patos, o documento informa que uma régua de 1,80 m ficou submersa. Isso mostra que a água passou desse nível, mas não permite afirmar qual foi o pico exato.

A estimativa de prejuízos usada na Situação de Emergência ficou em cerca de R$ 40 milhões. O dique reforçado e ampliado tinha aproximadamente 2 km de comprimento e 3 m de largura.

O mesmo balanço confirma que a Prefeitura publicou boletins todos os dias, em alguns casos mais de uma vez por dia.

Canal São Gonçalo · período crítico
2,20 m
balanço de 06/11; o documento cita 1,20 m como nível normal para outubro
Lagoa dos Patos
> 1,80 m
a régua de 1,80 m ficou submersa; o pico exato não foi informado
~1.300 famílias atendidas ao longo da enchente · São Gonçalo em 2,20 m no período mais crítico

Quase todos os dias tiveram novas atualizações

O arquivo municipal preserva a sequência de publicações da época. Alguns boletins ainda estão disponíveis por inteiro; em outros casos, restou apenas o registro de que a publicação existiu.

25/10texto completo
  • Defesa Civil remove 14 pessoas neste domingo
  • Começa a construção de dique no Pontal da Barra

Os textos foram recuperados e ajudam a documentar a continuidade dos resgates e o início do dique.

26/10texto completo
  • Boletim atualizado às 11h
  • Boletim atualizado às 18h

A edição das 18h foi recuperada e registra medições da manhã e da tarde.

27/10só registro encontrado
  • Boletim atualizado às 11h
  • Boletim atualizado às 19h

As duas edições aparecem no índice oficial, mas o texto completo não foi recuperado. A leitura da manhã aparece na GZH citando a Defesa Civil, e os valores do fim da tarde reaparecem no boletim de 28/10.

28/10texto completo
  • Boletim atualizado às 11h
  • Boletim atualizado às 18h
  • União reconhece Situação de Emergência de Pelotas

A edição das 11h e o reconhecimento federal foram recuperados. O texto das 18h não; uma medição por volta das 14h aparece na GZH citando a Defesa Civil.

29/10só registro encontrado
  • Boletim atualizado às 11h

O índice municipal confirma que o boletim existiu, mas o texto completo não foi recuperado.

30/10texto completo
  • Sanep conclui dique de contenção emergencial no Laranjal

O texto oficial foi recuperado e documenta a conclusão do dique e o início da baixa da água no Valverde e Novo Valverde.

03/11texto completo
  • Boletim atualizado às 11h
  • Defesa Civil encerra operações na Administração do Laranjal

O comunicado de encerramento preserva as últimas medições antes da transição para a recuperação.

Quando falta o texto completo, nenhum valor é preenchido por suposição. Informações recuperadas em jornais continuam identificadas pela fonte que as publicou.

Por que a água não baixava

Bombear não resolve quando o lugar que recebe a água também está alto

O boletim de 19 de outubro explica que os canais do Laranjal precisavam descarregar água em um sistema que também estava com o nível elevado.

Com Lagoa dos Patos e Canal São Gonçalo altos, as áreas mais baixas recebiam água ao mesmo tempo em que tinham dificuldade para escoá-la. Por isso, casas de bombas sozinhas não resolveriam o problema naquele momento.

Em 2015, o problema não era apenas tirar água das ruas: também era preciso ter para onde essa água pudesse sair.

Resgates, abrigos, energia interrompida e obras de emergência

O balanço municipal registrou aproximadamente 1.300 famílias atendidas ao longo de toda a ocorrência. Esse total não significa que 1.300 famílias ficaram desabrigadas ao mesmo tempo.

Os registros incluem resgates no Laranjal e na Z3, isolamento da Barra, transbordamento do Arroio Sujo, interrupção preventiva de energia em 1.956 moradias e um dique emergencial de aproximadamente 2 km no Valverde.

Jornais da época ajudam a preencher pontos em que o arquivo municipal está incompleto. Quando um dado vem de jornal, essa origem permanece indicada.

  • Prefeitura em alerta e evacuações na Z3 já em 14 de outubro;
  • pico crítico situado entre 18 e 19 de outubro;
  • Situação de Emergência decretada em 20 de outubro;
  • acesso de ônibus à Z3 retomado em 23 de outubro;
  • dique emergencial iniciado no Pontal da Barra em 25 de outubro;
  • reconhecimento federal divulgado em 28 de outubro;
  • plantão especial da Defesa Civil encerrado em 4 de novembro;
  • abrigos desativados e limpeza intensificada em 5 de novembro;
  • balanço consolidado publicado em 6 de novembro.

Números de lugares diferentes não são a mesma medição

Os boletins registraram valores diferentes ao longo dos dias. O balanço de 6 de novembro é a fonte usada para identificar o período mais crítico e a marca de 2,20 m no Canal São Gonçalo.

Para a Lagoa, o mesmo balanço informa que uma régua de 1,80 m ficou submersa. Isso mostra que a água passou do limite daquela régua, mas não permite afirmar qual foi o nível máximo exato acima de 1,80 m.

A leitura de 2,10 m na Casa de Bombas do Porto, em 14 de outubro, pertence a outra régua. Ela não é tratada como se fosse a mesma medição da Lagoa ou do Canal São Gonçalo.

Para comparar esses números com medições atuais, é preciso saber onde cada nível foi medido e qual referência aquela régua usava.

O G1 publicou, citando a Defesa Civil, que a Lagoa teria chegado a “2,25 m acima do normal”. Como a reportagem não informa qual régua nem o que significava “normal”, esse número permanece como informação atribuída à reportagem, e não como uma medição confirmada da Lagoa.

Onde os registros de 2015 foram encontrados

A maior parte dos registros vem da série “Cheias 2015” da Prefeitura de Pelotas. G1 e GZH completam momentos em que o arquivo municipal não preservou todo o texto. Cada informação continua ligada à fonte que a publicou.

Ajude a completar esta história

Tem algum registro de 2015? Fotos, jornais, documentos, medições e relatos locais podem ajudar a preservar detalhes que ainda não estão nesta página.

Fotos e documentos

Imagens da época, jornais, boletins, mapas, cartas e outros registros.

Fontes e correções

Links, documentos ou informações que ajudem a corrigir ou ampliar a página.

Relatos

Lembranças de quem viveu o evento, com data e local aproximados quando conhecidos.

Medições e marcas de água

Níveis, alturas observadas ou marcas físicas, junto com o local e o contexto disponível.

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