Não foi apenas a chuva que caiu em Pelotas
Enquanto chovia muito em Pelotas e na região, água da Lagoa Mirim e dos rios Piratini e Jaguarão chegava ao Canal São Gonçalo. Ao mesmo tempo, água vinda do Guaíba avançava pela Lagoa dos Patos em direção ao sul.
O vento nordeste também dificultava a saída da água da Lagoa para o mar. Com a Lagoa e o Canal altos, bairros e balneários mais baixos tinham menos capacidade para escoar a água.
Nos boletins municipais, a Estação da Embrapa aparece com 299 mm de chuva em outubro até o dia 20. No mesmo registro, a média citada para todo o mês era de 101 mm.
As águas chegaram por caminhos diferentes, mas o efeito local foi o mesmo: a Lagoa e o Canal já estavam altos e havia pouca capacidade para receber a água que precisava sair das áreas urbanas.
Dos primeiros sinais à recuperação
Os boletins municipais foram publicados com frequência durante a emergência. As medições abaixo mantêm a data, o horário e a origem informados em cada registro.
Cinco dias antes do pico, a cidade já estava em alerta
A Prefeitura já relacionava a subida da Lagoa dos Patos à água do Guaíba que seguia para o sul e mantinha as equipes em alerta.
A Defesa Civil retirava famílias do Cedrinho, na Z3. No Santo Antônio, a água alcançava a área do shopping Mar de Dentro e, no Valverde, o trapiche estava praticamente submerso.
Até 13 de outubro, Pelotas havia acumulado 170 mm de chuva no mês, diante da média de 101 mm citada pelo Município. A régua da Casa de Bombas do Porto marcava 2,10 m naquela tarde.
- Chuva em outubro até 13/10
- 170 mm média de outubro citada pela Prefeitura: 101 mm
- Casa de Bombas do Porto
- 2,10 m régua local; não é a mesma medição da Lagoa ou do São Gonçalo
A noite de 18 para 19 é apontada como o período mais crítico
O balanço municipal publicado em 6 de novembro identifica a noite de 18 para 19 de outubro como o período mais crítico da enchente.
A Prefeitura relacionou o cenário à chuva intensa, à água do Guaíba chegando à Lagoa dos Patos e à contribuição da Lagoa Mirim e dos rios Piratini e Jaguarão para o Canal São Gonçalo.
Valverde, Novo Valverde, Pontal da Barra, Z3, Barra e Doquinhas aparecem entre as áreas atingidas nos registros municipais.
É o balanço de 6 de novembro que identifica 18 e 19 de outubro como o período mais crítico.Lagoa e Canal altos dificultam a saída da água
A Prefeitura explicou que as áreas mais baixas estavam recebendo água ao mesmo tempo em que tinham dificuldade para escoá-la.
Havia muita água chegando ao Canal São Gonçalo, a Lagoa dos Patos estava alta e o vento dificultava a saída da água em direção ao mar.
Por isso, as casas de bombas não resolveriam o problema sozinhas enquanto a Lagoa e o Canal continuassem altos.
Resgates continuam e o São Gonçalo marca 2,04 m
Na Z3, o boletim municipal registrou 180 pessoas em abrigos oficiais e outras 120 em casas de parentes ou amigos.
Em Pontal da Barra, Valverde e Novo Valverde, 135 pessoas estavam fora de casa e 33 haviam sido resgatadas naquele dia. A Defesa Civil informou que outras famílias saíram por conta própria, por isso a contagem não era completa.
Desde a manhã, a Lagoa dos Patos havia baixado 30 cm e o Canal São Gonçalo, 21 cm.
- Canal São Gonçalo
- 2,04 m tarde de 20/10
- Variação do São Gonçalo
- -21 cm desde a manhã
- Variação da Lagoa
- -30 cm desde a manhã; o boletim não informa o nível absoluto
Pelotas decreta Situação de Emergência
O prefeito Eduardo Leite assinou o decreto de Situação de Emergência nas áreas atingidas pelos alagamentos.
Uma reportagem do G1 publicada naquele dia apontou cerca de 300 pessoas fora de casa e aproximadamente 400 militares ajudando no atendimento. Barcos e caminhões eram usados para retirar moradores.
A reportagem também registrou corte preventivo de energia e o desabamento do trapiche da Praia do Laranjal durante a tarde.
Os números deste bloco vêm da reportagem do G1 publicada no dia do decreto.Chuva chega a 299 mm no mês até o dia 20
A Prefeitura informou que a Estação da Embrapa havia acumulado 270 mm em setembro e 299 mm em outubro até o dia 20. No mesmo texto, a média citada para outubro era de 101 mm.
O Município explicou a cheia pela combinação de muita água no Canal São Gonçalo, Lagoa dos Patos alta com contribuição do Guaíba e vento nordeste dificultando a saída para o mar.
Na Z3, o boletim registrou 300 pessoas fora de casa e 180 em abrigos. No Valverde, 198 pessoas haviam sido retiradas de suas casas.
O boletim da manhã seguinte informa que, no dia 21, o São Gonçalo estava em 2,12 m e a Lagoa dos Patos em 1,60 m.
- Canal São Gonçalo
- 2,12 m valor do dia 21 citado no boletim de 22/10
- Lagoa dos Patos
- 1,60 m valor do dia 21 citado no boletim de 22/10
- Chuva em outubro
- 299 mm Embrapa, acumulado até 20/10
Vento desfavorável faz os níveis subirem de novo
Depois de uma queda parcial, os boletins voltaram a registrar alta e relacionaram a mudança ao vento desfavorável à saída da água.
O Canal São Gonçalo passou de 2,12 m no dia 21 para 2,18 m na manhã do dia 22. A Lagoa dos Patos passou de 1,60 m para 1,90 m nas referências divulgadas pela Prefeitura.
Mais oito pessoas foram retiradas do Valverde, elevando de 198 para 206 o número informado naquela atualização.
- Canal São Gonçalo
- 2,18 m +6 cm em relação ao valor do dia 21
- Lagoa dos Patos
- 1,90 m +30 cm em relação ao valor do dia 21
Ônibus volta a circular para a Z3
A estrada de acesso à Colônia Z3 voltou a receber transporte coletivo depois de obras na pista e da redução do nível da Lagoa dos Patos.
A Defesa Civil havia restringido a passagem dos ônibus no início da semana.
A própria notícia anunciava nova atualização sobre os alagamentos para as 17h30, mostrando a frequência dos boletins durante a emergência.
Começa a construção do dique no Pontal da Barra
Depois de uma vistoria no dia 24, a Prefeitura iniciou um dique para separar o banhado das áreas habitadas e ajudar bombas e canais a retirar a água acumulada.
O projeto previa aproximadamente 2 km de extensão e 3 m de largura, com duas frentes de trabalho.
A Prefeitura voltou a relacionar a enchente ao grande volume no São Gonçalo, à Lagoa dos Patos alta e ao vento que dificultava a saída para o mar.
Projeto anunciado em 25/10: cerca de 2 km de extensão e 3 m de largura.A água baixa em alguns pontos e serviços começam a voltar
O boletim da tarde registrou a Lagoa dos Patos em 1,80 m às 10h30 e 1,70 m mais tarde. O dado mais recente do São Gonçalo naquela publicação era 2,16 m pela manhã.
A energia havia voltado para 948 residências entre a avenida Joaquim Assumpção e a rua 29, e a bomba de drenagem da rua 29 voltou a funcionar.
A Barra ainda recebia atendimento por barco, mostrando que algumas áreas se recuperavam antes de outras.
- Lagoa dos Patos · 10h30
- 1,80 m
- Lagoa dos Patos · tarde
- 1,70 m queda de 10 cm no intervalo informado
- Canal São Gonçalo · manhã
- 2,16 m valor mais recente citado no boletim das 18h
A Lagoa recua, mas o retorno às casas ainda não é recomendado
Os textos completos dos boletins municipais de 27 de outubro não foram recuperados. A leitura da manhã aparece em uma reportagem da GZH que cita a Defesa Civil de Pelotas.
A Lagoa dos Patos havia baixado 40 cm e media 1,60 m. A água recuava nas ruas, mas a orientação ainda era não voltar para casa por causa da previsão de ventos fortes.
Ainda havia 137 pessoas em abrigos. A CEEE já havia restabelecido a energia em 1.270 casas e avaliava outros 686 pontos sem luz. O dique provisório do Valverde seguia em construção.
- Lagoa dos Patos
- 1,60 m manhã de 27/10; GZH citando a Defesa Civil de Pelotas
- Variação da Lagoa
- -40 cm na manhã de 27/10, segundo a mesma fonte
- Pessoas em abrigos
- 137 Defesa Civil citada pela GZH
Boletim do dia seguinte confirma os níveis do fim da tarde
O arquivo municipal mostra que houve boletins às 11h e às 19h em 27 de outubro, mas os textos completos dessas páginas antigas ainda não foram recuperados.
No boletim de 28 de outubro, a Prefeitura informa que as leituras daquela manhã eram as mesmas do fim da tarde do dia anterior.
Assim, é possível registrar os valores do fim da tarde de 27 sem inventar as demais medições daquele dia.
- Canal São Gonçalo
- 2,02 m fim da tarde de 27/10, confirmado no boletim de 28/10
- Lagoa dos Patos
- 1,80 m fim da tarde de 27/10, confirmado no boletim de 28/10
Chuva e vento mantêm os níveis do fim da tarde anterior
A Prefeitura informou que os fortes ventos da madrugada e a chuva até as 2h mantiveram os níveis da Lagoa e do São Gonçalo iguais aos do fim da tarde anterior.
Ainda havia 137 pessoas em abrigos oficiais: 123 da Z3 e 14 de Novo Valverde, Pontal da Barra e Valverde.
No mesmo dia, o Município divulgou o reconhecimento federal da Situação de Emergência e continuou os trabalhos no dique do Valverde.
- Canal São Gonçalo
- 2,02 m mesmo valor do fim da tarde de 27/10
- Lagoa dos Patos
- 1,80 m mesmo valor do fim da tarde de 27/10
- Pessoas em abrigos oficiais
- 137 123 da Z3 e 14 de Novo Valverde, Pontal da Barra e Valverde
Nova medição mostra o São Gonçalo em 2,04 m
Uma reportagem da GZH publicada às 14h01 registrou a medição mais recente da Defesa Civil naquele momento: Lagoa em 1,80 m e Canal São Gonçalo em 2,04 m.
O São Gonçalo estava 2 cm acima do valor divulgado pela Prefeitura às 11h, enquanto a Lagoa permanecia igual.
A mesma reportagem registrou 137 pessoas em abrigos e reproduziu a estimativa municipal de mais de 3 mil casas e cerca de 10 mil pessoas atingidas, com levantamento ainda em andamento.
- Canal São Gonçalo
- 2,04 m Defesa Civil citada pela GZH às 14h01
- Lagoa dos Patos
- 1,80 m Defesa Civil citada pela GZH às 14h01
- Variação do São Gonçalo
- +2 cm comparação com o boletim da Prefeitura das 11h
Boletim das 11h foi localizado, mas o texto completo não
O índice da Prefeitura confirma uma nova edição de “Cheias 2015 - Boletim atualizado às 11h” em 29 de outubro.
O texto completo dessa página antiga não está disponível de forma confiável no arquivo atual. A GZH também preserva o registro de uma matéria daquele dia sobre a queda do número de desabrigados, mas o texto completo não foi recuperado.
Por isso, esta linha do tempo registra que as publicações existiram, mas não atribui a elas números que não foram encontrados no texto original.
Boletim localizado; medições não são preenchidas sem o texto da publicação.Dique emergencial é concluído no Valverde
A Prefeitura informou que o Sanep concluiu a barreira de contenção entre a área habitada do Valverde e o banhado.
No registro final, o dique tinha 1,8 km de comprimento e 3 m de altura, além de uma comporta móvel de 6 m para controlar a passagem da água.
Naquela tarde, a água já começava a baixar no Valverde e no Novo Valverde. A própria Prefeitura apresentou a obra como uma medida de emergência, e não como solução definitiva para o Laranjal.
O projeto inicial previa cerca de 2 km de extensão e 3 m de largura. O registro da obra concluída descreve 1,8 km de comprimento, 3 m de altura e comporta de 6 m.Defesa Civil prepara o encerramento do plantão no Laranjal
Com a situação considerada estável, a Defesa Civil anunciou que encerraria o plantão na Administração do Laranjal em 4 de novembro.
Na manhã do dia 3, o São Gonçalo marcava 1,80 m e a Lagoa dos Patos 1,40 m nas referências usadas naquele acompanhamento.
O trabalho passava a se concentrar na drenagem da água restante, recuperação das ruas e retirada de móveis e entulhos.
- Canal São Gonçalo
- 1,80 m manhã de 03/11
- Lagoa dos Patos
- 1,40 m manhã de 03/11
A emergência dá lugar à limpeza e ao retorno
Com a água baixando, a Prefeitura concentrou equipes na limpeza de ruas, canais e orla do Laranjal e na retirada de móveis e entulhos.
No dia 4 haviam sido recolhidas 19 cargas de móveis e entulho na orla e sete no Pontal da Barra e Valverde. No dia 5, três caçambas e duas retroescavadeiras retiravam aguapés e juncos.
A Prefeitura informou que já não havia desabrigados no Valverde nem na Z3 e que os abrigos do Laranjal Praia Clube e do CRAS São Gonçalo haviam sido desativados.
Balanço final reúne os principais números da cheia
A Prefeitura informou que aproximadamente 1.300 famílias receberam atendimento ao longo do episódio no Laranjal, Z3, Barra e Doquinhas. Esse total não significa 1.300 famílias desabrigadas ao mesmo tempo.
O balanço registrou o São Gonçalo em 2,20 m no período mais crítico e informou que 1.956 moradias tiveram a energia cortada por segurança.
Para a Lagoa dos Patos, o documento informa que uma régua de 1,80 m ficou submersa. Isso mostra que a água passou desse nível, mas não permite afirmar qual foi o pico exato.
A estimativa de prejuízos usada na Situação de Emergência ficou em cerca de R$ 40 milhões. O dique reforçado e ampliado tinha aproximadamente 2 km de comprimento e 3 m de largura.
O mesmo balanço confirma que a Prefeitura publicou boletins todos os dias, em alguns casos mais de uma vez por dia.
- Canal São Gonçalo · período crítico
- 2,20 m balanço de 06/11; o documento cita 1,20 m como nível normal para outubro
- Lagoa dos Patos
- > 1,80 m a régua de 1,80 m ficou submersa; o pico exato não foi informado
Quase todos os dias tiveram novas atualizações
O arquivo municipal preserva a sequência de publicações da época. Alguns boletins ainda estão disponíveis por inteiro; em outros casos, restou apenas o registro de que a publicação existiu.
- Defesa Civil remove 14 pessoas neste domingo
- Começa a construção de dique no Pontal da Barra
Os textos foram recuperados e ajudam a documentar a continuidade dos resgates e o início do dique.
- Boletim atualizado às 11h
- Boletim atualizado às 18h
A edição das 18h foi recuperada e registra medições da manhã e da tarde.
- Boletim atualizado às 11h
- Boletim atualizado às 19h
As duas edições aparecem no índice oficial, mas o texto completo não foi recuperado. A leitura da manhã aparece na GZH citando a Defesa Civil, e os valores do fim da tarde reaparecem no boletim de 28/10.
- Boletim atualizado às 11h
- Boletim atualizado às 18h
- União reconhece Situação de Emergência de Pelotas
A edição das 11h e o reconhecimento federal foram recuperados. O texto das 18h não; uma medição por volta das 14h aparece na GZH citando a Defesa Civil.
- Boletim atualizado às 11h
O índice municipal confirma que o boletim existiu, mas o texto completo não foi recuperado.
- Sanep conclui dique de contenção emergencial no Laranjal
O texto oficial foi recuperado e documenta a conclusão do dique e o início da baixa da água no Valverde e Novo Valverde.
- Boletim atualizado às 11h
- Defesa Civil encerra operações na Administração do Laranjal
O comunicado de encerramento preserva as últimas medições antes da transição para a recuperação.
Quando falta o texto completo, nenhum valor é preenchido por suposição. Informações recuperadas em jornais continuam identificadas pela fonte que as publicou.
Resgates, abrigos, energia interrompida e obras de emergência
O balanço municipal registrou aproximadamente 1.300 famílias atendidas ao longo de toda a ocorrência. Esse total não significa que 1.300 famílias ficaram desabrigadas ao mesmo tempo.
Os registros incluem resgates no Laranjal e na Z3, isolamento da Barra, transbordamento do Arroio Sujo, interrupção preventiva de energia em 1.956 moradias e um dique emergencial de aproximadamente 2 km no Valverde.
Jornais da época ajudam a preencher pontos em que o arquivo municipal está incompleto. Quando um dado vem de jornal, essa origem permanece indicada.
- Prefeitura em alerta e evacuações na Z3 já em 14 de outubro;
- pico crítico situado entre 18 e 19 de outubro;
- Situação de Emergência decretada em 20 de outubro;
- acesso de ônibus à Z3 retomado em 23 de outubro;
- dique emergencial iniciado no Pontal da Barra em 25 de outubro;
- reconhecimento federal divulgado em 28 de outubro;
- plantão especial da Defesa Civil encerrado em 4 de novembro;
- abrigos desativados e limpeza intensificada em 5 de novembro;
- balanço consolidado publicado em 6 de novembro.
Números de lugares diferentes não são a mesma medição
Os boletins registraram valores diferentes ao longo dos dias. O balanço de 6 de novembro é a fonte usada para identificar o período mais crítico e a marca de 2,20 m no Canal São Gonçalo.
Para a Lagoa, o mesmo balanço informa que uma régua de 1,80 m ficou submersa. Isso mostra que a água passou do limite daquela régua, mas não permite afirmar qual foi o nível máximo exato acima de 1,80 m.
A leitura de 2,10 m na Casa de Bombas do Porto, em 14 de outubro, pertence a outra régua. Ela não é tratada como se fosse a mesma medição da Lagoa ou do Canal São Gonçalo.
Para comparar esses números com medições atuais, é preciso saber onde cada nível foi medido e qual referência aquela régua usava.
O G1 publicou, citando a Defesa Civil, que a Lagoa teria chegado a “2,25 m acima do normal”. Como a reportagem não informa qual régua nem o que significava “normal”, esse número permanece como informação atribuída à reportagem, e não como uma medição confirmada da Lagoa.
Onde os registros de 2015 foram encontrados
A maior parte dos registros vem da série “Cheias 2015” da Prefeitura de Pelotas. G1 e GZH completam momentos em que o arquivo municipal não preservou todo o texto. Cada informação continua ligada à fonte que a publicou.
